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Para a Organização Mundial da Saúde, qualidade de vida é a perceção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Desse modo, a qualidade de vida está diretamente relacionada com a saúde, no sentido de que se refere não só à forma como as pessoas percebem o seu estado geral de saúde, mas também o quão física, psicológica e socialmente estão e compreendem a sua capacidade de realização das atividades diárias.

O World Health Organization Quality of Life (WHOQOL, Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde) definiu seis domínios para avaliar e analisar o processo de envelhecimento, sendo eles o físico, o psicológico, o nível de independência, as relações sociais, o meio ambiente e a espiritualidade (Dawalibi et al., 2013).

Segundo Baltes e Smith (2006, cit. por Dawalibi et al., 2013) há evidências que muitos idosos apresentam níveis de comprometimento funcional, dependência e solidão, sendo por isso bastante importante haver uma intervenção preventiva para evitar o aumento deste comprometimento. As alterações cognitivas mais afetadas nos idosos são a atenção, a concentração, o raciocínio indutivo, a memória, a capacidade percetiva e espacial, as funções executivas e a velocidade de processamento.

Um estudo realizado em 2017 menciona que cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de demência, havendo uma projeção que esse número suba para 75 milhões até 2030 e para 132 milhões até 2050 (Frankish e Horton, 2017). O mesmo estudo revela que os idosos que praticaram atividades que estimulavam o cérebro tinham menos probabilidade de risco de demência.

A prática de exercício físico para as pessoas idosas pode melhorar as capacidades físicas (e.g., respiração, força muscular, reduzir a probabilidade do aparecimento de doenças cardíacas, de diabetes e de colesterol) e sociais, bem como melhorar significativamente as capacidades psicológicas (e.g., memória de trabalho, aumento na velocidade de processamento) (Minghelli et al., 2013; Pillatt et al., 2019; Santos, 2022).

É importante salientar que o processamento cognitivo desempenha um papel importante no equilíbrio e na marcha, sendo por isso um fator contribuinte para as quedas na população idosa (Smith-Ray et al., 2015).

Além da atividade física, existem outras atividades que são possíveis de fazer no dia a dia para prevenir o declínio cognitivo como, por exemplo:

  • Participar em eventos/convívios sociais;
  • Realizar quebra-cabeças (por exemplo, sudoku, palavras-cruzadas, sopa de letras);
  • Fazer voluntariado.

Posto isto, uma forma de ter um envelhecimento ativo e saudável consiste em:

  • Exercitar a orientação, a retenção a evocação, a linguagem, a atenção e o cálculo;
  • Potenciar um envelhecimento ativo;
  • Aumentar a estimulação cognitiva;
  • Prevenir o aparecimento de demências;
  • Desenvolver a plasticidade cerebral.

Sara Tavares

Psicóloga

Imagem Por, Rembrandt, “Self Portrait at the Age of 63” (National Gallery)


Referências

Ferratti, F., Beskow, G. C. T., Slaviero, R. C., & Ribeiro, C. G. (2015). Análise da qualidade de vida em idosos praticantes e não praticantes de exercício físico regular. Porto Alegre 20(3), 729-743.

Frankish, H., & Horton, R. (2017). Prevention and management of dementia: a priority for public health. The Lancet 16 (390). https://doi.org/10.1016/S0140- 6736(17)31756-7.

Dawalibi, N. W., Anacleto, G. M. C., Witter, C., Goulart, R. M. M., & Aquino, R. C. (2013). Envelhecimento e qualidade de vida: análise da produção científica da SciELO. Estudos de Psicologia (Campinas) 30(3), 393-403. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2013000300009.

Minghelli, B., Tomé, B., Nunes, C., Neves, A., Simões, C. (2013). Comparação dos níveis de ansiedade e depressão entre idosos ativos e sedentários. Revista de Psiquiatria Clínica 40(2), 71-6.

Pillatt, A. P., Nielsson, J., & Schneider, R. H. (2019). Efeitos do exercício físico em idosos fragilizados: uma revisão sistemática. Fisioterapia e Pesquisa 26(2), 210- 217. DOI: 10.1590/1809-2950/18004826022019.

Santos, J. K. (2022). O envelhecimento e suas perdas funcionais na terceira idade: o exercício físico e seus benefícios como forma de tratamento e qualidade de vida.

Smith-Ray, R. L., Hughes, S. L., Prohaska, T. R., Pequeno, D. M., Jurivich, D. A., & Hedeker, D. (2013). Impact of cognitive training on balance and gait in older adults. Journals of Gerontology, Series B: Psychological Sciences and Social Sciences, 70(3), 357–366, doi:10.1093/geronb/gbt097

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